DA CAPACIDADE A CONFRONTABILIDADE

O autodomínio é tanto uma função da capacidade quanto da “confrontabilidade”. Quando somos nós os agentes mostramos nossa capacidade, no entanto quando o ambiente começa a influenciar o nosso ser, começa a testar nossa confrontabilidade, ou seja nossa capacidade de enfrentamento.
Nossas capacidades são mensuradas diante a maneira como nos ajustamos as circunstâncias do nosso ambiente exterior. A capacidade é perceptível e tangível da nossa competência.
É uma energia que avança que transparece diante nossas realizações, nossos trabalhos e nos acompanha no curso de nossas credenciais e de tudo que fizermos para romper novos horizontes. Para contrapor, está a confrontabilidade, onde a energia reunida é para enfrentar ambientes totalmente imprevisíveis.
É perceptível as experiências e destrezas acumuladas no ambiente de cada um. O mecanismo da confrontabilidade possibilita ao corpo projetar ondas de adrenalina quando nos deparamos com desafetos.
A maneira como lidamos com dores e perdas também demonstra nossa confrontabilidade. Ao depararmos com dores e perdas diante o contexto vida e trabalho na maioria das vezes ficamos deprimidos, decepcionados. O homem que não consegue lidar com seus fantasmas interiores, vira alcóolatra. Um colaborador esforçado que sonha com uma promoção, perde a tão sonhada promoção e alimenta seu sentimento de perda na forma de uma úlcera.
Quando um ambiente se comporta de maneira imprevisível para nós, temos dificuldade em lidar com ele. Contudo, deixamos de tomar consciência de o ambiente “ lá fora” é simplesmente a interpretação que fazemos dele. Se não interpretássemos a perda de uma promoção como o fim do mundo, certamente não nos sentiríamos tão “pequenos”.
Nossas dores e nossas perdas são aparentemente pedras que o ambiente faz questão de colocar em nosso caminho. Podemos interpretá-las como sendo obstáculos a nossa felicidade ou como desafios maiores que devem ser enfrentados para sermos merecedores de recompensas ainda maiores.
Como estão nossa capacidade de enfrentar as contrariedades? A única maneira de fazer isso de modo assertivo seria enriquecendo a nossa perspectiva daquilo que, a primeira vista, interpretamos como “dor”, ou como “oportunidade perdida” ou pior ainda como um problema.
Valorizar nossa perspectiva nesses problemas exige uma maior sensibilidade na percepção, isso significa que precisamos parar de focar no problema e contemplar a razão para que o que era um problema se torne uma oportunidade.

QUEM ESPERA NUNCA ALCANÇA

Inspirada na música “Bom Conselho” do grande Chico Buarque, tenho refletido muito sobre como as pessoas estão sempre esperando alguma coisa.

Esperando as coisas melhorarem, a crise passar, a novela acabar, o verão chegar, nunca encontra o momento certo para fazer algo que sonha ou deseja.

Ano que vem…. segunda feira… quando me casar… depois da faculdade…. É sempre uma expectativa intensa que permeia a nossa mente e nos remete a inércia, de não alterar o estado atual.

O que falta para você?

No dicionário o verbo esperar remete a: não agir ou não tomar decisões.

O que você precisa fazer para se sentir melhor, para se aproximar dos seus objetivos?

Esperar é expectativa, e expectativa é possibilidade diferente de realidade. Se almeja algo real, palpável, você precisa fazer, executar, mudar, transformar. Esses verbos estão muito presentes no nosso discurso e pouco na nossa atitude. Já pensou se você fizesse tudo aquilo que fala por aí?

É claro que determinados objetivos demandam um processo que antecede determinada ação, já que é impossível defender um réu sem a habilitação da OAB, ou mesmo analisar um exame de sangue sem passar pela graduação em enfermagem, biologia e afins.  Agora, esperar o fim da faculdade ou  a formatura,  não garante em nada o tipo de profissional que você se tornará. É preciso foco e determinação para efetivamente fazer a diferença e marcar sua trajetória de forma consistente e positiva.

Somos constantemente orientados a esperar. Esperar o momento certo, talvez seja a expressão mais comum.  Mas qual é esse momento? Eu só consigo responder a essa pergunta se eu tenho claro quem eu sou e o que eu quero para minha vida.

O autoconhecimento é base para nossas decisões. É o que direciona o que deve ser feito, é o que da sentido a palavra motivação.

Quando você se conhece as coisas ficam mais claras e as atitudes mais assertivas, e o esperar terá um sentido diferente, com data marcada para realização e uma comemoração com sabor de vitória.

Que o agora passe a ser o momento mais importante da sua vida. Se permita! Se conheça! Se posicione!

“Ouça um bom conselho 
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança”

Chico Buarque

 

 

NÃO SE EXIJA DEMAIS: SEJA DOCE COM VOCÊ

Nada melhor que um colo. Quem não concorda? Mas este nosso mundo é o mundo do julgamento. Tudo é classificado em bom e ruim. E esta classificação começa com nós mesmo.

Assumimos e internalizamos desde pequenos essa atitude do autojulgamento. Toda criança desde muito pequena assimila que, se for “boazinha”, será aceita. Se for “má”, será punida.

Isto desenvolve um comportamento que vai nos acompanhando (ou perseguindo) pelo resto da vida. O condicionamento está sempre ali, presente. Como uma determinante, em qualquer situação, automaticamente, nos guiamos para uma atitude que pareça a melhor, que nos coloque sempre aos olhos dos outros como “bons”.

Nem sequer ao caso quanto isto está sendo sincero – não é o que importa. O que interessa é conquistar a posição de convencer os envolvidos de que nos encaixamos do lado positivo do julgamento corrente.

É frequente, também que a gente tente se encaixar na expectativa deste julgamento, no que é genericamente considerado o “melhor”, mesmo que nada tenha a ver com o que realmente somos e pensamos – é mais importante ser aceito a qualquer preço.

Evidentemente, relações com pessoas e situações obtidas através deste processo são baseadas em elos extremamente fragilizados. Qualquer laço montado sobre uma aparência carece de substância, não alcança a profundidade. Portanto, não satisfaz, já que nos deixa, de uma certa forma, ou nos terrenos mais essenciais, de fora dos elos estabelecidos, internamente desconectados.

Mas é extremamente difícil, é lógico, resistir à pressão que colocou este elemento na nossa educação. Correr o risco de ficar só, ser rejeitado, causa estranheza, tomando atitudes que podem até ser para nós as mais corretas, mas que aos olhos dos outros podem ser ruins. A pergunta que fica é: será uma coisa inteligente optar por um tipo de laço que não nos preenche e permanecer num tipo de solidão qualitativa, embora possamos estar até atrelados a uma grande quantidade de coisas? É um caso para refletir.

O pior disso tudo, porém é, sem dúvida, o autojulgamento. A maneira cruel e implacável como nos cobramos acertar. Como ficamos nos perguntando sempre “ onde foi que erramos”. Mesmo quando estamos acusando o outro, quando alguma coisa mostra com evidência que a culpa não foi nossa, é impossível evitar que nos responsabilizemos.

Buscamos com severidade excessiva os nossos erros. E o pior: não os nossos erros reais, mas sempre onde erramos em cumprir a expectativa do outro – e esta procura pode nos impedir a visão para a compreensão de uma vivência.

Perseguidos pela ideia do fracasso e da incompetência, nos exigimos sempre demais. Nos punim
os inconscientemente, entrando em depressões nas quais nos privamos de coisas agradáveis, metemos nossa vida no escuro por um tempo suficiente para ser considerado castigo razoável – e também uma retirada estratégica que permita recompor aquilo que não compreendemos.

Nos colocamos numa posição fragilizada, em que é permitido pedir socorro, apelar para o colo alheio. Se este colo vem – não importa nem se é por afeto, por pena ou obrigação – mas se ele se apresenta, então é um sinal aliviante de que ainda não fomos completamente execrados pelo julgamento dos outros, de alguma maneira ainda somos aceitos. Com esta confirmação podemos então retornar a vida normal. E entrar de novo na roda viciada que vai nos levar ao mesmo equívoco. Ou nos tornamos auto condescendentes em excesso, assumindo uma arrogância que pretensamente mascara a insegurança.

Ora, está tudo errado. Deveríamos usar esta capacidade de autojulgamento para discernir o que é bom e ruim verdadeiramente para nós mesmos. Munidos da nossa verdade, podemos estabelecer relações concretas, reais, satisfatórias – não importa que poucas preencherão com certeza, nossas necessidades.

Consequentemente, aprenderemos a nos amar melhor, a ser mais doces conosco. Aprenderemos que não adianta nada receber o “colo” e o agrado dos outros, se não tivermos o nosso próprio agrado. O amor-próprio. Se não gostarmos de nós, jamais acreditaremos merecedores do que recebemos de bom. Se soubermos que estamos fingindo só para agradar, será impossível, atribuir qualquer valor aquilo que vem para nós.

Portanto aprenda a ser mais doce com você. Não se julgue. Acarinhe-se aprecie verdadeiramente quem você é, defeitos e qualidades. E esteja mais preparado para enfrentar os julgamentos da vida quando eles forem realmente necessários.